SOESPE |
|
 |
|
 |
08/11/2006Surtos de rubéola no Rio de Janeiro e Minas Gerais
1. Dois surtos de rubéola, nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, foram notificados à SVS/MS respectivamente nos dias 11 e 25 de agosto de 2006.
2. O resultado parcial da investigação epidemiológica que vem sendo realizada no Rio de Janeiro mostra que até a semana epidemiológica (SE) no. 38 foram notificados 379 casos, dos quais 46 foram confirmados, 218 foram descartados e 115 ainda aguardam resultados laboratoriais. Houve concentração de casos nas SE no. 34 e 37 e em sete municípios da região metropolitana (municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, São Gonçalo e Mesquita) e dois da região serrana do Estado (Nova Friburgo e Petrópolis). A predominância dos casos se dá no sexo masculino e a faixa etária atingida são os adultos jovens (20 a 34 anos). Ações de investigação e bloqueio vacinal dos contatos foram desencadeadas pelas respectivas secretarias municipais de saúde. Até 28/09/2006 foram notificadas uma gestante com IgM positivo no município do Rio e uma gestante confirmada por vínculo epidemiológico, aguardando a verificação de conversão sorológica.
3. No estado de MG, até o momento, foram notificados 257 casos suspeitos, dos quais 83 foram confirmados, incluindo-se uma mulher de 28 anos, no 7o mês de gestação. Os casos estão concentrados no município de Belo Horizonte, tendo sido confirmados casos também em Juiz de Fora (com provável fonte de infecção no município do RJ), Contagem, Betim e Sabará. Ações de vacinação e bloqueio foram desencadeadas pelas respectivas secretarias municipais de saúde, sendo que os casos também predominam em indivíduos do sexo masculino e adultos jovens, tal qual no Rio de Janeiro.
4. A SVS/MS manteve-se inicialmente atenta no acompanhamento da situação epidemiológica e das medidas de controle adotas pelas respectivas secretarias estaduais de saúde e a partir da semana passada passou a apoiar com pessoal técnico de campo as autoridades locais de saúde em ambos os estados.
5. A rubéola é uma doença viral aguda de transmissão respiratória, que em 50 a 75% dos casos tem como manifestação principal febre, exantema, enfartamento ganglionar e artralgia. Um quarto a 50% dos casos ocorre de forma subclínica ou assintomática. A principal forma de prevenção é feita por meio do uso da vacina dupla ou tríplice viral (que também protege contra o sarampo e a caxumba, respectivamente), sendo atualmente aplicada no seguinte esquema: - calendário de vacinação da criança: aos 12 meses de idade, com um reforço na idade pré-escolar (entre 4 e 6 anos); - calendário de vacinação do adolescente: uma dose entre 11 e 19 anos, caso não tenha sido adequadamente vacinado na infância; - calendário de vacinação do adulto: a) sexo masculino - uma dose entre 20 e 39 anos, caso não tenha sido adequadamente vacinado na infância ou na adolescência b) sexo feminino: uma dose entre 20 e 49 anos, caso não tenha sido adequadamente vacinada na infância ou na adolescência.
6. Em geral a rubéola é uma doença benigna, exceto para o concepto de gestantes susceptíveis (que nunca tiveram a doença ou que nunca tomaram nenhuma dose da vacina dupla ou tríplice viral). Nesta situação poderá haver a transmissão vertical do vírus, o que pode ocasionar desde manifestações clínicas leves até quadros de malformações congênitas graves, conhecidas como Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). Pode ainda ocorrer aborto espontâneo. Quanto mais precoce a infecção da mãe em relação ao início da gravidez, tanto maior o risco de aborto espontâneo ou de SRC. Dados mostram que após um surto de rubéola a incidência da SRC aumenta de 0,5 para 2,5 casos por 1000 nascidos vivos.
7. Entre 2001 e 2002 o Brasil realizou ampla campanha de vacinação contra a rubéola voltada ás mulheres em idade fértil (entre 12 e 39 anos). Apesar do sucesso da campanha, que atingiu altas coberturas vacinais, ainda existe na população brasileira um pequeno contingente de mulheres não vacinadas, e portanto suscetíveis à rubéola.
8. Além da vacinação de rotina, a detecção precoce de casos suspeitos para a imediata ação de bloqueio vacinal das pessoas susceptíveis é a principal medida de controle da rubéola. Para que estas medidas sejam eficazes, é importante considerar os seguintes aspectos do processo de transmissão da doença: - o período de incubação médio é de 17 dias, variando de 12 a 23 dias; - a transmissão ocorre 5 a 7 dias ANTES do aparecimento do exantema até 5 a 7 dias APÓS a erupção; - a transmissão se dá pela excreção de partículas virais em meio às secreções respiratórias de uma pessoa infectada, ao falar, tossir e espirrar; - para que a vacina possa bloquear ou atenuar a infecção em uma pessoa susceptível ela precisa ser administrada em no máximo 72 horas após a exposição à fonte de infecção.
9. Alerta - É preciso que o sistema de saúde esteja alerta para a detecção de casos suspeitos da doença (indivíduo que, independente da idade e do estado vacinal, apresente febre acompanhada de exantema e enfartamento ganglionar), notificação e investigação imediatas (incluindo a coleta de espécimes clínicos para o diagnóstico sorológico e a realização do bloqueio vacinal seletivo). Deverão ser incluídas neste bloqueio exclusivamente as pessoas que não comprovem vacinação prévia contra a doença e que estiveram em contato com um caso suspeito ou confirmado de rubéola no período que vai de 10 dias antes até 10 dias após o exantema. A busca ativa desses contatos deve ser feita em todos os locais por onde o caso suspeito ou confirmado circulou neste mesmo período (escola, locais de trabalho, igrejas, etc.).
10. Atenção especial deve ser dadas às gestantes susceptíveis, que não deverão entrar em contato com casos suspeitos ou confirmados de rubéola por pelo menos 15 dias. Caso esta gestante susceptível tenha sido exposta a uma fonte de infecção (durante o período de transmissibilidade da doença), ela não deverá ser vacinada. Recomenda-se nesta situação a coleta de sangue para monitoramento do seu estado imunológico e um acompanhamento mais atento da equipe responsável pelo seu pré-natal e parto, pois o recém-nascido precisará de exames médicos especializados (principalmente de cardiologia, otorrinolaringologia e oftalmologia). Também deverá ser feito o monitoramento sorológico da criança. Lembra-se que a manifestação clínica mais precoce da SRC é a surdez e que sinais e sintomas de outras anomalias congênitas podem aparecer durante todo o seu primeiro ano de vida.
11. A SVS/MS avalia que a possibilidade de propagação destes surtos para outros locais do país deve ser considerada. Portanto, neste momento é essencial o aprimoramento das ações de prevenção, vigilância e controle da rubéola, visando a detecção e bloqueio precoces da doença em qualquer parte do território nacional.
Brasília, 03 de outubro de 2006.
|
 |

|
|