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15/02/2006
Febre de Origem Indeterminada

Com o surgimento e o aperfeiçoamento das técnicas diagnósticas , era de se esperar que os quadros clínicos de “origem indeterminada” ou de “causa desconhecida” desaparecessem da prática médica usual. Infelizmente isso ainda não ocorre e, dentre eles, a febre de origem indeterminada na infância continua a ser um problema que desafia a capacidade diagnóstica do médico, angustia a família do paciente, sujeita este a desconforto e sofrimento e distende ao máximo a relação entre esses protagonistas.

Critérios de Inclusão

Tradicionalmente o conceito de febre de origem indeterminada firmou-se em duas variáveis interdependentes: o tempo de duração do quadro febril e a amplitude dos estudos complementares executados, sem sucesso, para esclarecê-lo. Esses sempre foram e continuam sendo critérios arbitrários; tanto o tempo de observação quanto o estudo complementar mínimo anteriormente recomendados já não se sustentam, tendo em vista o progresso na técnica diagnóstica e sua disponibilidade cada vez mais ampla, mesmo para quem está afastado dos grandes centros.
Assim, parece que chegamos a um ponto em que não é possível definir a febre de causa indeterminada por critérios absolutos, mas considerá-la um quadro febril que persiste sem diagnóstico etiológico, esgotados os recursos diagnósticos do meio em que é estudado. Isso se acomoda à realidade óbvia de que há centros de elevadíssimos recursos, nos quais em breve espaço de tempo podem realizar-se sofisticados exames, a par de regiões periféricas em que, além de modestas as técnicas disponíveis, exigem maior tempo para sua realização.

Ocorrências que Contribuem para o Desconhecimento da Origem da Febre e Medidas Tendentes a Combatê-las

Jamais será excessivo acentuar-se a absoluta necessidade de uma exaustiva anamnese (atual, pregressa, família, ambiental, social) e do mais minucioso exame físico, inclusive valorizando impressões de quem cuida da criança, ainda mesmo que com ela não concorde o médico.Não desprezar o fato de que quem cuida da criança tem com esta uma familiaridade que lhe permite surpreender detalhes que não suscetíveis a uma observação mais curta ou superficial.
Também não se pode exagerar na imperiosa necessidade de, logo de saída, estabelecer um vínculo de honestidade e confiança com a família e a própria criança, o que melhor se consegue dando ciência, passo a passo, do que se pretende fazer e quais as razões para isso, sem ocultar que a pesquisa pode resultar inútil.
Com relação às próprias pressuposições, embora se deva admitir uma só causa que explique a febre e os demais sintomas ou sinais, se acaso ocorrerem, não esquecer que é sempre mais provável encontrar-se duas condições comuns, cada qual explicando parte do quadro, que uma condição rara, que o explique por inteiro. Acrescente-se que, se por formação científica , fomos educados a proceder por um método estrito e sistemático de pesquisa em nossas investigações, aqui não cabe fazer-se uma lista de possíveis condições (o que, de resto, abrangeria quase toda a medicina) e partir para validá-las ou invalidá-las uma a uma.
Finalmente, não perder de vista que, mesmo com o emprego dos meios mais apurados até o presente disponíveis, casos haverá em que a causa da febre permanecerá desconhecida.
Atendidos esses pré-requisitos, passemos a considerar:

Ocorrência

Como Combatê-la

Inexperiência do médico

Atualizar-se sempre:”um médico nunca se forma”

Enfermidade ocorrendo em local inesperado

História de viagens a outras localidades

História de contactantes vindos de outras

localidades

Acompanhar alterações nosológicas no meio

Meio incomum de transmissão

Investigação dos antecedente do quadro

Apresentação incomum de enfermidade comum

História de outros enfermos que apresentaram idêntico quadro inicial e evoluíram de maneira típica de alguma condição patológica

Doenças incomuns (viroses emergentes)

Manter-se atualizado

Atribuição de etiologia única a quadros febris não relacionados

Especial atenção à duração dos intervalos assintomáticos e condição geral do paciente nos mesmos

Exames complementares falsamente positivos ou negativos

Repetição. Uso de laboratórios e clínicas de diagnóstico por imagem de confiança e com experiência com crianças

Terapêutica precipitada e imprópria, bloqueando o curso clínico mais característico da enfermidade

Pausa terapêutica

Tempo de observação insuficiente

Dar tempo ao tempo, desde que o estado do paciente o permita

Intercorrências mascarando o diagnóstico de base

Suspeitar de quadros de mesma natureza e repetitivos (Ex: infecções)

“Munchausen by proxy”

Investigar as condições de observação da febre: quem, quando, como ?

Falta de recursos diagnósticos

Encaminhamento a centro maior


O Que Os Exames Complementares Podem Oferecer

Sugerem processo inflamatório

Reagentes de fase aguda

Sugerem infecção

Hemograma: melhor valor evolutivo e prognóstico que diagnóstico

Identificam infecção

Culturas, Provas Imunológicas

Localizam lesões e sugerem causas

Diagnóstico por imagem

Identificam lesões e causas

Biópsias

 



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