A infecção em crianças pequenas e bebês, na maioria das vezes, não produz sintomas ou produz um quadro de doença inespecífico. Já quando acomete crianças maiores e adultos, freqüentemente, cursa com febre, mal estar, falta de apetite, desconforto abdominal, urina escura e icterícia. Os sintomas , geralmente, duram menos que 2 meses mas, 10 a 15% das pessoas, que apresentam, têm doença prolongada ou recidivante por até 6 meses. Hepatite fulminante é rara e infecção crônica não ocorre.
Como se adquire Hepatite A?
A transmissão se dá, primariamente, via fecal-oral através do contato direto com pessoas infectadas eliminando o vírus nas fezes ou através da ingestão de água e alimentos contaminados.
Crianças menores têm um papel muito importante na transmissão porque a infecção nelas, geralmente, não causa sintomas ou passa despercebida e elas podem eliminar o vírus nas fezes por período de tempo mais prolongado que os adultos.
Hepatite A é uma doença comum?
Sim. É uma doença comum em todo o mundo sendo que nas classes sociais menos favorecidas a incidência é maior na primeira década de vida e nas mais favorecidas incide mais na idade adulta.
Como prevenir?
Investimento em saneamento básico e higiene pessoal.
Utilização de vacinas para controle da doença e possibilidade de erradicação do vírus como foi conseguido com a poliomielite (paralisia infantil) no Brasil e em várias partes do mundo.
Entre as doenças preveníveis por vacinas, Hepatite A continua sendo uma das mais freqüentemente relatadas.
Atualmente, no Brasil, dispomos de duas vacinas licenciadas contra Hepatite A: Havrix e Vaqta.
Havrix: idade de 1 a 15 anos – Havrix 360 EL.U em esquema de 3 doses a partir de 16 anos – Havrix 720 EL.U em esquema de 3 doses Vaqta: idade de 2 a 17 anos – 2 doses da formulação pediátrica a partir de 18 anos – 2 doses da formulação adulta
Ambas são altamente eficazes em adultos e crianças e são bem toleradas.
As reações indesejáveis mais comuns são enduração, calor e dor no local da injeção. Adultos podem queixar-se de cefaléia.
Contra-indicações:
Não deve ser administrada para pessoas que apresentaram uma reação anafilática a uma dose anterior da vacina, a sais de alumínio ou a fenoxietanol em se tratando da Havrix.
Não há necessidade de precaução especial para vacinação de pessoas imunodeprimidos porque a vacina é constituída de vírus inativados (mortos).
Recomenda-se o uso de imunoglobulina intramuscular para pessoas susceptíveis que tiveram contato próximo com um caso índice. Ex: contato domiciliar, em creches, etc.
A imunoglobulina oferece proteção transitória por cerca de 3 meses. Para uma proteção prolongada é necessário a vacinação.
A vacina é eficaz quando administrada após exposição ao vírus?
Ainda não existem evidências suficientes para recomendá-la como profilaxia pós exposição. Estudos estão sendo realizados para clarear esta questão.
Myriam Santos Almeida
Médica especialista em Doenças Infecciosas e Parasitárias